segunda-feira, 12 de abril de 2010

TSE e PF vigiarão em tempo real as contas dos candidatos

LUCAS FERRAZ
FELIPE SELIGMAN
da Sucursal de Brasília

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e a Polícia Federal anunciam neste mês um plano para combater doações ilegais nas eleições. A força-tarefa consiste no acompanhamento em tempo real das contas de campanha de candidatos e partidos por meio de um sistema já utilizado contra o crime organizado.

A medida inédita tem o objetivo de rastrear eventuais anomalias nas movimentações financeiras no período eleitoral e reduzir brechas para atos ilícitos que, até agora, eram analisados somente após o pleito.

O mais poderoso instrumento para deter o caixa dois será uma ferramenta de combate à lavagem de dinheiro, que já foi disponibilizada ao TSE pelo Ministério da Justiça.

O LAB-LD, como é conhecido o Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro, é um conjunto de softwares e hardwares, desenvolvido em parceria com o Banco do Brasil, que permite o cruzamento infinito de dados. O sistema foi utilizado pela polícia para rastrear possíveis contas suspeitas do PCC (Primeiro Comando da Capital), facção criminosa que age nos presídios paulistas.

Nas eleições, será possível mapear, por amostragem ou em casos específicos, as contas de candidatos e partidos e acompanhar manifestações atípicas. Como o TSE também tem convênio com a Receita Federal, será possível cruzar os dados "on-line" e detectar se as contribuições de empresas ou pessoas físicas foram feitas dentro do limite legal.

E também se os serviços prestados por empresas para a confecção de material de campanha seguiram os valores de mercado.

Além da Receita, a força-tarefa da PF e do TSE contará ainda com o apoio do TCU (Tribunal de Contas da União).

"A utilização do LAB vai inibir uma série de irregularidades e vai possibilitar identificar condutas que eram impossíveis no passado", afirma Romeu Tuma Jr., chefe da secretaria nacional de Justiça, do Ministério da Justiça.

Segundo ele, seria impossível realizar o mesmo trabalho com mão de obra humana. O TSE ficará responsável pela gerência do sistema.

O tribunal e a PF não quiseram se manifestar sobre o acordo, que será assinado após a posse do novo presidente do TSE, Ricardo Lewandowski, no próximo dia 23.


Folha On Line

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Lula ironiza multas e diz que irá se conter para não ficar endividado o resto da vida

GABRIELA GUERREIROda Folha Online, em Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira que vai se "conter" em discursos para não pagar novas multas à Justiça Eleitoral. Lula disse que vai ter que "trabalhar o resto da vida" para pagar multa se mantiver sua rotina de falar de improviso nas cerimônias do governo federal.
"Hoje eu vou ler o meu discurso. Hoje eu vou ler porque estou sendo multado todo dia, e daqui a pouco eu vou ter que trabalhar o resto da vida para pagar multa. Eu vou me conter aqui, depois vou dar um improvisozinho rápido para falar para vocês", disse Lula ao encerrar a Conferência Nacional de Educação.
No final de março, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidiu multar o presidente em R$ 10 mil por propaganda eleitoral antecipada. A propaganda teria ocorrido em janeiro deste ano na inauguração do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados de São Paulo.
Foi a segunda multa que o presidente recebeu por propaganda antecipada. Também em março, o ministro do TSE Joelson Dias determinou a aplicação de multa de R$ 5.000 ao presidente Lula por propaganda eleitoral antecipada na inauguração de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) de Manguinhos e Complexo do Alemão, no Rio, em maio do ano passado.
A oposição promete continuar a ingressar com representações no tribunal contra o presidente sempre que Lula utilizar atos do governo para falar da pré-candidatura petista, Dilma Rousseff.
Campanha
Falando para uma plateia de 3.000 pessoas, o presidente foi saudado como "guerreiro do povo brasileiro". Os educadores presentes no encontro também gritaram palavras de apoio à ex-ministra Dilma Rousseff. "O povo decidiu. Agora é a Dilma presidente do Brasil", gritaram os educadores.
No discurso, Lula voltou a criticar a oposição, especialmente as gestões anteriores do país. "Alguns dos nossos opositores acham que democracia é um pacto de silêncio. Para nós, democracia é um ato de muitas manifestações da sociedade brasileira. Democracia inclui, necessariamente, a participação efetiva dos cidadãos nas decisões que transformam o cotidiano da sociedade", disse.
Assim como Lula, o ministro da Educação, Fernando Haddad, também criticou gestões anteriores. "Não tenho registro que alguém, em oito anos, tenha feito tanto pela educação. O nosso país estava acostumado, em educação, a uma política de foco derivada da falta de compromisso com o financiamento. E isso era derivado do não-enfrentamento e da falta de vontade política de fazer a educação a prioridade do nosso país", afirmou o ministro.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Câmara do DF discute regras para eleições indiretas

25/03/2010 - 08h56
Câmara do DF discute regras para eleições indiretas


da Folha Online

A Câmara Legislativa do Distrito Federal discute nesta quinta-feira regras para as eleições indiretas após a cassação do governador José Roberto Arruda (sem partido)

Além dos deputados, participam do debate integrantes do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) e da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

A Câmara convocou as eleições indiretas até o dia 17 de abril para a escolha do novo governador que vai substituir Arruda no governo local e do vice-governador para o lugar de Paulo Octávio (sem partido), que renunciou ao cargo.

A única definição até agora é que só poderão participar da disputa chapas compostas por governador e vice lançadas por um dos 27 partidos reconhecidos pela Justiça Eleitoral e não mais candidaturas avulsas.

Portanto, a pré-candidatura do corretor de imóveis e dirigente da entidade Política Sem Fronteiras, Darlan Rodrigues, já foi descartada.

"As candidaturas só terão validade após a publicação da lei que regulamenta a eleição e precisam ser apresentadas com governador e vice-governador", disse o presidente em exercício da Câmara, Cabo Patrício (PT).

Segundo o petista, os deputados resolveram colocar um projeto de lei e não editar uma resolução da Mesa Diretora para evitar questionamentos jurídicos. "A melhor forma é votar um projeto. Nós apresentamos a minuta de um projeto e vamos discutir com constitucionalistas todo esse processo", disse.

A escolha do novo comando do Distrito Federal será por votação aberta e os 24 parlamentares serão os eleitores.

Pela Lei Orgânica do Distrito Federal, deveria ser respeitada uma linha sucessória, que passa pelo presidente da Câmara, vice-presidente da Câmara e chega ao presidente do Tribunal de Justiça local. A eleição indireta adequa o texto à Constituição Federal.

Segundo a presidência da Câmara, poderá participar da eleição qualquer cidadão que respeite os critérios elegibilidade previstos na Constituição para o cargo de governador, como filiação partidária, domicílio eleitoral na circunscrição onde irá concorrer e pleno exercício dos direitos políticos, nacionalidade brasileira, além de idade mínima de 30 anos.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Deputados do Distrito Federal aprovam realização de eleição indireta para governador

Deputados do Distrito Federal aprovam realização de eleição indireta para governador
Enviado por Lilian Beraldo, qua, 17/03/2010 - 18:01
corrupção distrito federal Partidos Políticos política
Alex Rodrigues
Repórter da Agência Brasil

Brasília - Com o aval das comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e Especial, a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou há pouco, em primeiro turno, a emenda que estabelece a realização de eleição indireta para governador e vice-governador em caso de vacância nos dois últimos anos do mandato. A proposta voltará a ser votada, em segundo turno, em dez dias, precisando receber ao menos 16 votos para entrar em vigor.

Com a aprovação do Projeto de Emenda à Lei Orgânica número 40, de autoria do deputado Alírio Neto (PPS), os artigos 93, 94 e 103 da Lei Distrital passam a vigorar em consonância com o que estabelece a Constituição Federal.

Com isso, em caso de impedimento do governador e do vice-governador, ou de vacância dos respectivos cargos, o posto passa a ser temporariamente ocupado pelo presidente da Câmara Legislativa ou pelo presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), nesta ordem. Caberá a eles, nestes casos, convocar uma eleição indireta à qual poderá concorrer qualquer candidato em condições de elegibilidade.

Caso a vacância definitiva do cargo ocorra durante os dois últimos anos do mandato legislativo, a eleição indireta deverá ser realizada em 30 dias.

Apesar disso, os deputados distritais ainda não dão como certa a realização de um novo pleito para eleger substituto para o governador afastado e preso José Roberto Arruda (sem partido). Os parlamentares preferem aguardar a decisão final do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a cassação do mandato de Arruda, aprovada ontem (16) pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Relator do TRE-DF vota pela cassação de Arruda por infidelidade

Relator do TRE-DF vota pela cassação de Arruda por infidelidade
MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília

O desembargador do TRE (Tribunal Regional Eleitoral), Mário Machado, votou nesta terça-feira pela perda do mandato do governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), por desfiliação partidária. Outros cinco integrantes da Corte ainda precisam votar.

Machado é relator do caso no TRE. Na avaliação do ministro, Arruda se desfiliou do DEM por vontade própria e que o partido tinha legitimidade para abrir processo disciplinar diante das acusações de envolvimento no esquema de arrecadação e pagamento de propina.

"Não é apenas direito acionar as condutas. É dever político com a cidadania não admitir a inércia diante de denúncia contra o seu acusado. Isso se distância radicalmente do argumento de grave discriminação", disse.

O governador afastado e preso é acusado pelo procurador regional eleitoral, Renato Brill de Góes, de ter deixado o DEM sem respaldo legal e para evitar constrangimentos.

No julgamento, Brill disse que Arruda não foi discriminado pelo DEM e que deixou o partido por "estratégia política" e para "não passar vergonha".

"Não há de se falar em discriminação pessoal. Desde quando a formulação de uma representação, da instauração de um processo disciplinar pode ser considerada discriminação? O DEM nada mais fez do que cumprir o seu direito. Nesse sentido não se pode falar em grave discriminação porque o partido cumpriu o regimento do partido. Queria Arruda que o DEM ficasse inerte diante da gravidade dos fatos? E pediu a desfiliação por conveniência política, por estratégia política, para não passar vergonha", disse.

A advogada de Arruda, Luciana Lóssio, tentou desqualificar o pedido de cassação apresentado pelo Ministério Público Eleitoral.

"O mandato não pertence ao Ministério Público, pertence ao partido. O Ministério Público tem uma legitimidade questionada pela Justiça Eleitoral como um todo", disse.

Para a advogada, não há dúvidas de que Arruda foi discriminado. "Após as denúncias, o governador se tornou uma pessoas indesejada dentro do partido. Todos tinham aversão ao governador. O DEM virou as costas e o deixou sozinho diante da crise. É importante deixar claro aqui que o governador não foi condenado, são notícias jornalísticas que nada provam. Estamos falando de um chefe do poder Executivo sob o qual recaem suspeitas", disse.

Justiça Eleitoral do DF cassa Arruda por desfiliação partidária

Justiça Eleitoral do DF cassa Arruda por desfiliação partidária
MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília

Por 4 votos contra 3, o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Distrito Federal cassou nesta terça-feira o mandato do governador afastado e preso José Roberto Arruda (sem partido) por desfiliação partidária. A maioria dos integrantes da Corte seguiu o voto do relator Mário Machado, e defendeu que Arruda deixou o DEM sem respaldo legal, mesmo estando ameaçado de expulsão.

O julgamento terminou empatado com três votos favoráveis a cassação e três contrários. A votação foi decidida pelo presidente em exercício, desembargador Lecir da Luz, que seguiu o voto do relator. Arruda é o primeiro governador cassado por infidelidade partidária.

Lula Marques /Folha Imagem

TRE cassou nesta terça o governador José Roberto Arruda por infidelidade partidária

Para o relator, Arruda se desfiliou do DEM por vontade própria e o partido tinha respaldo legal para abrir processo disciplinar diante das acusações de envolvimento no esquema de corrupção.

"Não é apenas direito acionar as condutas. É dever político com a cidadania não admitir a inércia diante de denúncia contra o seu acusado. Isso se distância radicalmente do argumento de grave discriminação", disse.

O Ministério Público Eleitoral pedia a perda do mandato de Arruda, argumentando que ele deixou o DEM sem previsão legal para evitar constrangimentos.

O desembargador Cândido Ribeiro Filho votou pelo arquivamento da ação afirmando que houve "coação" de lideranças do partido para que Arruda deixasse os quadros do DEM.

"É fato que todas as lideranças do DEM anteciparam o juízo de valor, não fizeram só ilação. Não foi ilação não. São os próprios líderes partidários que reconhecem que precisam expulsar o representado porque a imagem do partido está em jogo. E eles estão corretos. E está em jogo porque determinados princípios partidários foram descumpridos, em princípio, pelo representado [Arruda]. Houve coação. Não fica que não te queremos", disse Cândido.

No julgamento, o procurador regional eleitoral, Renato Brill de Góes Brill, disse que Arruda não foi discriminado pelo DEM e que deixou o partido por "estratégia política" e para "não passar vergonha".

"Não há de se falar em discriminação pessoal. Desde quando a formulação de uma representação, da instauração de um processo disciplinar pode ser considerada discriminação? O DEM nada mais fez do que cumprir o seu direito. Nesse sentido não se pode falar em grave discriminação porque o partido cumpriu o regimento do partido. Queria Arruda que o DEM ficasse inerte diante da gravidade dos fatos? E pediu a desfiliação por conveniência política, por estratégia política, para não passar vergonha", disse.

A advogada de Arruda, Luciana Lóssio, tentou desqualificar o pedido de cassação apresentado pelo Ministério Público Eleitoral. "O mandato não pertence ao Ministério Público, pertence ao partido. O Ministério Público tem uma legitimidade questionada pela Justiça Eleitoral como um todo", disse.

Para a advogada, não há dúvidas de que Arruda foi discriminado. "Após as denúncias, o governador se tornou uma pessoas indesejada dentro do partido. Todos tinham aversão ao governador. O DEM virou as costas e o deixou sozinho diante da crise. É importante deixar claro aqui que o governador não foi condenado, são notícias jornalísticas que nada provam. Estamos falando de um chefe do poder Executivo sob o qual recaem suspeitas", disse.

Cassação

A ação do procurador foi motivada porque o DEM não recorreu à Justiça Eleitoral. A resolução do TSE que fixou em 2007 normas para a infidelidade partidária não prevê justa causa para desfiliação partidária por questão de foro íntimo.

Segundo a resolução do TSE, se no prazo de 30 dias o partido não entrar com ação --como ocorreu no caso do DEM--, cabe ao Ministério Público fazê-lo em mais 30 dias.

A defesa de Arruda está pronta para recorrer ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), caso o TRE aprove a cassação do mandato do governador afastado. A advogada Luciana Lossio, no entanto, acredita que a ação deve ser arquivada porque será um julgamento técnico. "Ele não tinha nenhuma alternativa a não ser se desfiliar".

Processos

Arruda também é alvo de processo de impeachment na Câmara Legislativa e de dois pedidos do STJ (Superior Tribunal de Justiça) para que a Casa autorize que ele seja processado criminalmente. Os processos estão parados aguardando a defesa do governador. A expectativa é de que os casos sejam analisados em abril.

O governador está preso desde o dia 11 de fevereiro na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, acusado de obstruir as investigações do esquema de corrupção. Os advogados de Arruda entram hoje no STJ (Superior Tribunal de Justiça) com pedido de revogação da custódia.

Os advogados alegam que Arruda está preso por tempo excessivo, não oferece risco às investigações e está com a saúde debilitada.

Saída

Após oito anos no partido, o governador ficou isolado dentro da legenda depois das denúncias do envolvimento dele num suposto esquema de arrecadação e pagamento de propina. O esquema envolveria o pagamento de uma mesada a parlamentares da base aliada, secretários de governo, assessores e empresários.

A pressão sobre Arruda ficou maior depois que vieram à tona imagens de dele recebendo dinheiro de suposta propina de Durval Barbosa, seu ex-secretário de Relações Institucionais.

Propaganda do governo do Ceará é suspensa por ser considerada eleitoral

Propaganda do governo do Ceará é suspensa por ser considerada eleitoral
colaboração para a Folha Online

A Justiça Eleitoral do Ceará suspendeu ontem uma publicidade institucional do governo do Estado por considerar que era propaganda eleitoral antecipada em favor do governador Cid Gomes (PSB), candidato à reeleição.

A propaganda é exibida desde o dia 24 de fevereiro em jornais e redes de televisão do Estado. O juiz eleitoral auxiliar Heráclito Vieira de Sousa Neto determinou a suspensão da propaganda sob pena de multa diária no valor de R$ 5 mil reais.

A assessoria do governo do Ceará afirmou que não foi notificada da sentença e, por isso, não irá se pronunciar.

A Procuradoria Regional Eleitoral do Ceará entrou com uma representação argumentando que a propaganda é eleitoral por comparar a atual administração com a anterior.

"A propaganda mencionava 'a grande transformação que o Ceará está vivendo' e a 'construção de um novo Ceará'. Não são palavras ao vento: reportam-se sem dúvida à figura de seu gestor atual, comparando a sua administração às administrações passadas", afirma a Procuradoria.

Segundo a Procuradoria, a publicidade não menciona o nome do governador. No entanto, para os procuradores, a propaganda faz o mais "distraído e alienado eleitor" lembra de Cid Gomes.